1 de jun. de 2012

Desencontros interiores


Muito tempo se passou desde que eu era eu e ponto.
Eu desaprendi a arte de ser humana e aprendi a arte de atuar. E agora não sei se me arrependo.
O que é se arrepender? Eu achava que não tinha mais jeito. Eu achava que estava no fim. Afundada em minhas próprias mentiras, em minhas mágoas guardadas com todo o carinho, presa às minhas falsas ambições e aos meus objetivos mesquinhos e egoístas.
Eu era o centro dos problemas, o centro das atenções, o centro de tudo, o centro de nada.
Eu realmente estava acabada. Mas como a fênix, resurgi das cinzas como a má garota que sou. Apenas para atormentar meus próprios problemas, e destruir minhas próprias desconstruções. Eu era eu mais uma vez.
Mas então, quem era eu? Eu na verdade não podia ter certeza de que era eu. Eu já havia me perdido de mim mesma há muito tempo. Então como ser eu novamente? Como renascer? Eu não lembrava o que eu queria, o que era importante para mim. Como voltar a existir?
Penso, logo existo.
Então percebo que não precisava voltar a ser eu, mas criar uma nova eu. E foi o que fiz. Restaurando padrões, ambições, objetivos, criando possibilidades e medindo probabilidades. E quando eu achava que estava perfeita, ele apareceu. Ele apareceu e me fez mudar mais uma vez. E novamente, eu não era eu.
Porém, pra que ser eu? Por que ser eu, se eu podia ser ele? Por que não ser nós? Por que ser alguém tão incerto quando a certeza de ser alguém estava bem diante de meus olhos?
Ele me fez pensar que eu não precisava de mais nada.E eu não precisei de mais nada.
Não preciso de mais nada.
Ele me fez acreditar que a vida é bela.
E eu acreditei que a vida é bela.
A vida é maravilhosa.
Ele me ensinou a viver e não reclamar.
E eu estou aprendendo.
Com um dos melhores professores.
Mais uma vez desfiz padrões, nivelei objetivos e ambições, recriei sonhos, modifiquei a realidade à meu gosto, mudei a verdade. Não menti, nem omiti. E finalmente, eu estava livre. Livre de todas as vozes que antes ecoavam de mim para mim, falando comigo mesma no quarto escuro que eu chamava de "lugar para pensar".
Livre dos meus demônios.
Livre de mim e de quem eu descobri que nunca fui.
Livre de quem eu queria ser e de quem eu tentava ser.
Eu finalmente me encontrei pronta.
Pronta para tudo.
Para todos.
Para qualquer coisa, até mesmo para o nada.
Eu estava realizada, e estaria enquanto o tivesse ao meu lado. Por que ele, apenas ele, era o motivo de tudo. Eu estava livre e presa, eu era amante e sofria, eu era verdadeira e omissa, eu era sincera e contida, eu era tudo e nada, por que eu não podia ser certa com ele ao redor.
Ainda assim, sabendo que eu era perfeita, ele me parecia ainda inaucançável. Inatingível. Inigualável. Inabalável.
Então ele se tornou meu forte. Meu porto. Meu chão. Meu céu. E tudo mais que pudesse existir em meu mundo.
E mais uma vez, eu estava presa. Presa por minha própria vontade. Vontade surreal e irônica. Antes eu que lutava por ser eu, por ser livre, por ser feliz...
Agora lutava pra não me lembrar quem fui, pra continuar sendo dele, pra ser... Satisfeita.

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