30 de set. de 2013

Dreamming for free



"Everybody has a secret world inside of them. All of the people of the world, I mean everybody. No matter how dull and boring they are on the outside, inside them they've all got unimaginable, magnificent, wonderful, stupid, amazing worlds. Not just one world. Hundreds of them. Thousands maybe." 
Neil Gaiman.

25 de set. de 2013

O menino que escrevia versos

De que vale ter voz
 se só quando não falo é que me entendem?
 De que vale acordar
 se o que vivo é menos do que o que sonhei? (Versos do menino que fazia versos)


 - Ele escreve versos!
 Apontou o filho, como se entregasse criminoso na esquadra. O médico levantou os
olhos, por cima das lentes, com o esforço de alpinista em topo de montanha.
 - Há antecedentes na família?
 - Desculpe, doutor?
 O médico destrocou-se em tintins. Dona Serafina respondeu que não. O pai da
criança, mecânico de nascença e preguiçoso por destino, nunca espreitara uma página.
Lia motores, interpretava chaparias. Tratava-a bem, nunca lhe batera, mas a doçura mais
requintada que conseguira tinha sido em noite de núpcias:
 - Serafina, você hoje cheira a óleo Castrol.
 Ela hoje até se comove com a comparação: perfume de igual qualidade qual outra
mulher ousa sequer sonhar? Pobres que fossem esses dias, para ela, tinham sido lua-demel. Para ele, não fora senão período de rodagem. O filho fora confeccionado nesses
namoros de unha suja, restos de combustível manchando o lençol. E oleosas confissões
de amor. Tudo corria sem mais, a oficina mal dava para o pão e para a escola do miúdo.
Mas eis que começaram a aparecer, pelos recantos da casa, papéis rabiscados com
versos. O filho confessou, sem pestanejo, a autoria do feito.
 - São meus versos, sim.
 O pai logo sentenciara: havia que tirar o miúdo da escola. Aquilo era coisa de
estudos a mais, perigosos contágios, más companhias. Pois o rapaz, em vez de se lançar
no esfrega-refrega com as meninas, se acabrunhava nas penumbras e, pior ainda,
escrevia versos. O que se passava: mariquice intelectual? Ou carburador entupido,
avarias dessas que a vida do homem se queda em ponto morto?
 Dona Serafina defendeu o filho e os estudos. O pai, conformado, exigiu: então, ele
que fosse examinado.
 - O médico que faça revisão geral, parte mecânica, parte elétrica.
 Queria tudo. Que se afinasse o sangue, calibrasse os pulmões e, sobretudo, lhe
espreitassem o nível do óleo na figadeira. Houvesse que pagar por sobressalentes, não
importava. O que urgia era pôr cobro àquela vergonha familiar.
 Olhos baixos, o médico escutou tudo, sem deixar de escrevinhar num papel. Aviava
já a receita para poupança de tempo. Com enfado, o clínico se dirigiu ao menino:
 - Dói-te alguma coisa?
- Dói-me a vida, doutor.
 O doutor suspendeu a escrita. A resposta, sem dúvida, o surpreendera. Já Dona
Serafina aproveitava o momento: Está a ver, doutor? Está a ver? O médico voltou a
erguer os olhos e a enfrentar o miúdo:
 - E o que fazes quando te assaltam essas dores?
 - O que melhor sei fazer, excelência.
 - E o que é?
 - É sonhar.
 Serafina voltou à carga e desferiu uma chapada na nuca do filho. Não lembrava o
que o pai lhe dissera sobre os sonhos? Que fosse sonhar longe! Mas o filho reagiu:
longe, por quê? Perto, o sonho aleijaria alguém? O pai teria, sim, receio de sonho. E
riu--se, acarinhando o braço da mãe.
 O médico estranhou o miúdo. Custava a crer, visto a idade. Mas o moço, voz tímida,
foi-se anunciando. Que ele, modéstia apartada, inventara sonhos desses que já nem há,
só no antigamente, coisa de bradar à terra. Exemplificaria, para melhor crença. Mas nem
chegou a começar. O doutor o interrompeu:
 - Não tenho tempo, moço, isto aqui não é nenhuma clínica psiquiátrica.
 A mãe, em desespero, pediu clemência. O doutor que desse ao menos uma vista de
olhos pelo caderninho dos versos. A ver se ali catava o motivo de tão grave distúrbio.
Contrafeito, o médico aceitou e guardou o manuscrito na gaveta. A mãe que viesse na
próxima semana. E trouxesse o paciente.

 Na semana seguinte, foram os últimos a ser atendidos. O médico, sisudo,
taciturneou: o miúdo não teria, por acaso, mais versos? O menino não entendeu.
 - Não continuas a escrever?
 - Isto que faço não é escrever, doutor. Estou, sim, a viver. Tenho este pedaço de vida
- disse, apontando um novo caderninho - quase a meio.
 O médico chamou a mãe, à parte. Que aquilo era mais grave do que se poderia
pensar. O menino carecia de internamento urgente.
 - Não temos dinheiro, fungou a mãe entre soluços.
 - Não importa, respondeu o doutor.
 Que ele mesmo assumiria as despesas. E que seria ali mesmo, na sua clínica que o
menino seria sujeito a devido tratamento.


Hoje quem visita o consultório raramente encontra o médico. Manhãs e tardes ele se
senta num recanto do quarto de internamento do menino. Quem passa pode escutar a
voz pausada do filho do mecânico que vai lendo, verso a verso, o seu próprio coração.

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Esse é um dos versos de um livro chamado "O fio das missangas". 
Gostei tanto quando o li, que resolvi copiá-lo aqui. 
Caso queiram ler mais contos desse livro cliquem aqui
Espero que tenham gostado =) 

23 de set. de 2013

Ser

Ser eu.
Ser você.
Ser quem quer que queira
Ser.

Ser humano.
Ser real.
Ser quem faz bem.
Ser quem faz mal.

Ser da natureza.
Ser da mitologia.
Ser egocêntrico.
Ser egoísta.

Ser fatal.
Ser irônico.
Ser do mal.
Ser cômico.

Ser assim.
Ser assado.
Ser como é.
Ser imitado.

Ser falso.
Ser sincero.
Ser romano.
Ser romeno.

Ser pessoa.
Ser animal.
Ser da cidade.
Ser do litoral.

Ser estranho.
Ser normal.
Ser apenas
Ser, e tal...


19 de set. de 2013

Longe Demais

Deixei que coisas em minha vida fossem longe demais. Tristezas, lembranças e mentiras; deixei que coisas negativas me dominassem por certo tempo longe demais. Deixei que um sentimento de inutilidade falasse mais alto, deixei que minha consciência me culpasse por coisas que certamente não fiz por querer. Iludi a mim mesma por tanto tempo que me esqueci por alguns instantes quem eu era ou quem eu queria ser. Deixei-me levar por comentários de pessoas que nunca me entenderam, nem mesmo me conheceram ao todo. Ignorei meus problemas apenas para torná-los bolas de neve. Resolvi deixar pra lá coisas que eu sabia que me magoariam e me perseguiriam por toda minha vida. Construí pontes para lugares que não devia, e castelos em lugares que mal suportavam um casebre. Me senti perdida, me senti morta, me senti uma completa otária em meio a circunstâncias ridiculamente mal entendidas. Fui burra, cegamente permissiva, pensei em todos menos em mim. Deixei que meus medos me tomassem e me mudassem. Então, eu não era mais quem eu queria ser. Eu nunca fui quem eu sempre quis ser. Deixei pessoas persuadirem a mim, não ouvi as poucas pessoas que se importaram. Inventei justificativas sem fundamentos para erros de cálculos que cometi, e histórias que justificassem faltas em minha vida. Deixei que minha estupidez chegasse longe demais, deixei que meus sentimentos negativos fossem longe demais, deixei que a minha cegueira chegasse longe demais. Escondi do mundo quem eu realmente era apenas para não me sentir só. E agora que tudo já chegou tão longe quanto o limite permitiu, quero me esvaziar de mim e começar uma nova vida.
Não quero mais amigos que gostam de minha prestatividade sem saber quem realmente sou, não me esconderei mais atrás de pessoas com menos talento que eu apenas para fazer elas sentirem-se melhores. Todos e tudo deve voltar aos seus lugares. E é nisso que começo a trabalhar agora. Chega de coisas indo longe demais, tudo agora tem que ir até seu ponto limite e não passar dali. É isso que me imponho, essa é minha nova lei. E não importa o que digam, é minha vez de ser feliz.

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18 de set. de 2013

Fênix



Ressurjo das cinzas como uma velha fênix que após chegar aos seus dias mais pesarosos se desfez em chamas. Ressurjo para um novo dia, para uma nova vida, para novas histórias. Ressurjo de onde esperavam que saíssem os cantos mais fúnebres, com cânticos alegres e uma nova perspectiva. Sim, sou uma nova criatura. Curada pelo fogo que me destruiu, saída das cinzas que um dia era eu. E agora, cá estou eu voando novamente, sem medo de me incendiar e apenas me permitindo ser tão bela quanto a natureza me permite. Pronta para cair e me machucar novamente, porém desta vez sabendo que meu corpo não me pertence, sou apenas uma extensão da natureza e quando morrer de vez, finalmente serei livre e eterna em minha própria forma; pois que venham as pedras, as armadilhas e os inimigos, darei-lhes as boas-vindas em minha nova vida e acenarei para que tomem seus distintos lugares e me assistam mais uma vez, e agradecerei a eles ao fim de meu voo, afinal se estou aqui em parte eles tem mérito. Ressurjo mais uma vez, e desta vez, juro que não deixarei mais o mundo girar sem mim.


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Momento filosófico =D
Resumindo, voltei cambada! 

2 de set. de 2013

Comendo até o fim do mundo



Pois bem, por motivos pessoais a Meiry (A dona do blog) não postará nem tão cedo... Então, cá estou eu, saindo um pouco dos textos reflexivos para falar de... Comida!
Nada melhor que os pequenos prazeres da vida como comer e dormir não é?

Pra uma pessoa que mora sozinha e nem sempre tem muito tempo disponível pra ir às compras (de doritos e coca-cola), ou cozinhar algo decente (arroz, feijão e essas coisas que nossos pais nos obrigam a comer, tipo brócolis), é muito difícil achar algo pra comer em noites frias. Principalmente quando se acabou de chegar de um dia cheio na rua.
Então pra essas pessoas, que assim como eu, sofrem por causa de comida, vou postar hoje uma receita que tem salvado minha vida nas noites mais frias e nas tardes mais entediantes!

Bolo de caneca. Você já ouviu falar? (se não, se joga de um penhasco, cara!) É, como diria minha mãe, uma mão na roda! (nunca entendi isso...) Bolo de caneca é nada mais que um bolo em uma caneca! Simples assim. Não vá fazer um bolo de tabuleiro, cortar e por na caneca, hein! Pelo amor! A receita fica pronta em poucos minutos, se você tiver microondas...

Lá vai.

Ingredientes:
- Uma gema
- Duas colheres de achocolatado
- Duas colheres(sopa) de leite.
- Seis colheres(sopa) de leite condensado.
- Cinco colheres(sopa) de farinha de trigo (peneirada)
- Uma colher(chá) de margarina
- A clara de um ovo batida em neve.
- Uma colherzinha de fermento.

Modo de preparo:
Misture tudo, coloque em uma caneca e leve ao microondas por 3 minutos (temperatura máx.)

A decoração fica a seu gosto. Eu costumo fazer carinhas de acordo com meu humor usando M&Ms!