10 de jan. de 2013

Quando encontrei meu anjo (3/3)


Desde que nasci eu soube que era alguém diferente, só não sabia que meu fim seria tão diferente quanto eu.
E assim começou meu dia, chuva caindo em finos pingos, céu nublado, clima frio e corpo quente. Eu gosto de ouvir o barulho que a chuva faz quando bate no telhado, nem sei ao certo quanto tempo fiquei ali parada olhando para o nada escutando o "tec-tec" que me lembrava de um passado aparentemente tão distante...

― Agora assopre a velinha e faça um pedido!
― Isso! Parabéns minha linda! olha seu presente...
― Nossa mãe! Que linda!
― Achei que gostaria.
― Não existe boneca mais linda no mundo!

Cloud estalava os dedos sentado no sofá, também parecia em um devaneio e eu não queria atrapalhar, era raro vê-lo em um desses momentos. Levantei finalmente já em direção à cozinha. Enchi um copo de água e tomei alguns goles. Hoje nos encontraríamos de novo com aquele homem, se é que eu podia chamá-lo de homem. Passei da cozinha para o banheiro e voltei para a sala. Liguei o notebook e comecei a escrever mais uma das minhas histórias. Um dia, há muito tempo, eu quis ser escritora, pois só nos livros eu encontrava mundos e histórias que me satisfizessem.

 Gosto das suas histórias pequena, mas precisamos ir agora. - Dizia Cloud tocando levemente meus ombros.
Tudo bem, eu já acabei aqui. - Ele me olhou com um olhar intrigado enquanto eu olhava para a tela do computador sem uma expressão clara.

Marco estava em seu luxuoso sofá de couro branco, com uma maleta aberta em uma mesa bem a sua frente e uma taça de coquetel na mão sendo levada constantemente à boca para um pequeno gole por vez.
Sentamos de frente a ele e ele apenas nos deu sua autorização.
Então era isso, era apenas pegar e sair?

― Qual seu nome? - Marco perguntava para mim. Por que aquela pergunta logo... Agora?
Desde que saí de casa não usava meu nome.
― Por que quer saber? - Perguntei cruzando os braços e olhando o chão.
― Quero que venha para a festa de hoje a noite. Preciso de seu nome para a lista de convidados.
― Violeta.
Ele assentiu.
Cloud então pegou a maleta levantou e nós caminhamos em direção à porta. Queríamos sair daquele lugar quanto antes, mesmo sem saber porque.
― Violeta. - Virei instantaneamente ao ouvir meu nome ser chamado por aquela voz, porém ao vê-lo com uma pistola na mão, a reação foi diferente.
― Apenas você. - E o disparo fez o maior e pior barulho que já pudesse ter ouvido. Foi certeiro na nuca de Cloud que cambaleou e caiu para frente.
Por que?
POR QUE AQUELE DESGRAÇADO FEZ... aquilo...
Caí ajoelhada ao lado do homem que bancou meu pai quando eu mais precisei, com lágrimas nos olhos gritei
― Não conte comigo seu bastardo! Infeliz!
De repente senti uma fria mão tocar meu ombro, mas eu estava paralisada. Eu sabia o que aconteceria agora. Minha voz travou, minha garganta deu um nó e eu o vi ajoelhar em minha frente.
― Nesse caso... - Ele aproximou seu rosto do meu e me puxou para si. Ele me beijou. Mas não era como um beijo qualquer.
― Você não merece uma morte como qualquer outra...
Então meu corpo todo estava tremendo. Ao longe vi aquele rosto. Meu corpo queimava por dentro e a ultima coisa que vi foram aqueles olhos.
Ao menos, eu naquele momento, fui feliz. Feliz por saber que minha vida fora algo único e que ninguém jamais teria vida igual a minha.
Senti todo aquele fogo me consumir de dentro para fora e ouvi a voz de mamãe dizendo...
"Bons sonhos minha querida..."

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Gente, que merda foi essa? 'o'
haha' mas eh isso... Isso é tudo pessoal!


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